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Estrutura Comercial e Custos

Custo de contratar SDR: a conta que ninguém faz

Matheus B. Albuquerque
Matheus B. AlbuquerqueDiretor de Vendas · Palestrante
4 de agosto de 2026
7 min de leitura
Índice

O custo de contratar SDR começa no salário, mas o salário é a parte barata. Na triagem que a gente faz, candidato tier 1 pede entre R$ 1.500 e R$ 2.500 de fixo, com expectativa de chegar perto de R$ 5.000 em dois anos. Em cima disso entra ferramenta, cinco a seis dias de treino antes da primeira ligação real, tempo de gestão e risco de turnover. Em contratação PJ remota, a gente já viu ficar 1 de cada 3. É essa conta inteira que decide se o investimento paga.

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O custo de contratar SDR não para no salário

Quando o time comercial monta a planilha, quase sempre aparece uma linha só: remuneração. Daí a conta fecha bonita e a empresa aprova a vaga. O problema aparece no terceiro mês, quando o caixa já pagou coisa que ninguém tinha previsto.

A conta real de um SDR tem cinco blocos:

  • Remuneração: fixo mais variável por reunião agendada.
  • Ferramenta: CRM, telefonia, base de contatos, e-mail e cadência, tudo cobrado por usuário.
  • Rampagem: os dias de treino e as semanas até o SDR virar produtivo de verdade.
  • Gestão: hora de gestor ou consultor acompanhando ligação, CRM e feedback.
  • Reposição: provisão pro dia em que essa cadeira ficar vazia, porque ela fica.

Tu pode ignorar quatro desses blocos na hora de decidir, mas o caixa não ignora nenhum. Tem outro detalhe que quase ninguém coloca no papel: a seleção. Contratar dois SDRs ao mesmo tempo pra ver quem engrena custa o dobro por um mês. Parece caro. Só que o custo de uma contratação mal feita, somando meses de rampagem, remuneração e tempo do consultor, costuma passar o custo de um processo seletivo mais fundo. Antes de abrir a vaga, vale entender como montar a conta de custo, ROI e estrutura comercial com os teus números na mesa.

📖 Leia também: Estruturação comercial: o que tu compra e quanto custa

Quais ferramentas entram na conta antes da primeira ligação?

SDR sem stack é telefone com planilha. Funciona por duas semanas e depois some o histórico. O mínimo pra inside sales rodar é CRM, telefonia ou discador, base ou ferramenta de geração de leads, e-mail com domínio aquecido e alguma automação de cadência.

Cada item desses cobra licença por usuário. Então custo de ferramenta não é fixo da empresa, é variável por cabeça. Dobrou o time de vendas, dobrou essa linha. Vale rodar a soma por SDR, e não pelo total do departamento, senão a planilha esconde o número.

E tem o custo invisível: ferramenta que ninguém preenche não é ferramenta, é assinatura. O CRM é o termômetro mais confiável de atividade que a gente conhece, mas só se ligação feita virar registro no mesmo dia. Sem isso, tu paga a licença e continua decidindo no achismo.

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Quanto tempo de rampagem até o SDR pagar o próprio custo?

Rampagem é o pedaço mais caro e o menos medido. Antes da primeira ligação real, o cara precisa de cinco a seis dias de treino estruturado: produto, cold call, passagem por gatekeeper e decisor, roleplay e CRM. Isso não é onboarding de RH, é treino de operação.

Depois vem o acompanhamento diário nas primeiras semanas. O SDR precisa errar na frente de alguém que corrige na hora, senão ele fixa o erro e carrega o vício pro resto do ciclo de vendas. Esse tempo de gestor ou de consultor é hora de gente cara, e entra na conta.

Na prática, o processo de prospecção e fechamento leva pelo menos seis meses pra chegar em maturidade operacional. Ou seja: tu paga custo cheio bem antes de ver taxa de conversão estável. Quem espera retorno no mês dois costuma demitir no mês três e recomeçar a conta do zero. É o mesmo padrão que aparece no custo de um time comercial que vende sem estrutura.

📖 Leia também: Prospecção B2B para empresa de tecnologia: por onde começar

Por que o turnover é o item mais caro da planilha

Turnover não é linha de despesa, é multiplicador. Cada saída zera rampagem, queima base trabalhada, derruba a cadência e obriga o gestor a repetir tudo de novo. Em modelo PJ remoto sem critérios bem definidos de seleção, a taxa de aproveitamento cai feio. Um de cada três é número que a gente já viu na vida real.

A causa quase nunca é o candidato. É o filtro. Currículo e pretensão salarial não dizem se o cara tem autonomia pra trabalhar sozinho, se tem outro vínculo empregatício rodando em paralelo, se o contexto doméstico permite quatro horas de ligação por dia. Sem investigar isso na entrevista, a empresa contrata rápido e paga devagar.

Retenção também tem alavanca barata. Bonificação por reunião agendada acima de um patamar mensal custa pouco perto de reabrir a vaga e refazer todo o treino.

Quanto custa a cadeira vazia enquanto tu decide

Tem o outro lado da conta, que é o custo de oportunidade. Enquanto a vaga não sai, quem prospecta é o closer, no intervalo entre uma reunião e outra. Daí o vendedor caro faz trabalho de abertura e o pipeline anda conforme o humor da semana.

Em vendas B2B, esse custo não aparece em lugar nenhum da planilha, mas aparece na meta. Mês sem geração de leads consistente é mês que só fecha o que já estava maduro. Aí vem a decisão apressada de contratar dois de uma vez, sem processo comercial pronto, e o ciclo recomeça. Quem quiser ver isso por outro ângulo, olha onde vaza dinheiro quando a venda roda sem processo.

Quando faz sentido contratar o segundo SDR?

Só depois que o primeiro tem processo de vendas escrito e número estável. Se o SDR um ainda agenda por sorte, o SDR dois só duplica o improviso e o custo. A tomada de decisão aqui é simples: tem playbook de vendas, tem lista, tem rotina de CRM e tem alguém pra treinar? Se falta um desses, contratar mais gente é comprar o mesmo problema em dobro.

Tem uma exceção. Quando a empresa aceita testar dois candidatos ao mesmo tempo por um mês pra ficar com o melhor, o custo dobra num mês só e evita meses de rampagem jogada fora. É caro no curto prazo e barato no ano. A gente prefere esse risco ao risco de treinar a pessoa errada por seis meses.

Se além do SDR tu vai colocar closer na operação, vale abrir a conta de contratar um vendedor B2B por inteiro, porque rampagem, gestão e turnover mudam de peso quando o cargo muda.

Antes de abrir vaga de SDR, olha também quando terceirizar prospecção B2B faz sentido e o que precisa existir de processo antes de qualquer contratação.

Como montar o ROI do SDR sem chute

ROI de SDR é fácil de escrever e chato de sustentar. Pega o custo total mensal, com fixo, variável, ferramenta, fatia de gestão e provisão de reposição. Joga contra reuniões qualificadas geradas, taxa de conversão de reunião pra proposta e ticket médio fechado. O número que importa é quanto custa uma reunião que vira negócio, não quantas ligações saíram no mês.

Compara também com a alternativa. Quanto custa hoje o teu closer fazendo prospecção no lugar de fechar? Muita equipe de vendas descobre que já paga um SDR caro, só que disfarçado de vendedor sênior.

Três coisas mudam esse resultado mais que qualquer estratégia de vendas nova:

  • Seleção rigorosa, porque ela derruba turnover e rampagem desperdiçada.
  • Domínio de produto, porque SDR que sabe do que fala vira consultor. Quem foge do tema vira agendador de horário.
  • Rotina de acompanhamento no CRM, porque sem registro tu não sabe se o problema é volume, lista ou discurso.

Resumindo: o custo de contratar SDR só faz sentido comparado com o que ele destrava no funil, e isso leva uns seis meses pra ficar legível. Se tu tá montando essa conta agora e não quer descobrir o buraco no terceiro mês, a gente senta com o teu time e monta junto, com os teus números, sem promessa de resultado em trinta dias.

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Use estes materiais para conectar o tema deste artigo com processo, indicadores, tecnologia e decisão comercial. A sequência ajuda a transformar leitura em próximo passo operacional.

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Matheus B. Albuquerque palestrando no Startup Day Sebrae

Escrito por

Matheus B. Albuquerque

Diretor de Vendas · Palestrante · Consultor

Subiu em palco no Startup Day Sebrae, ESPM Innovation Week, SP Innovation Week e Rio Innovation Week. Estrutura e acelera operações comerciais B2B na GSales.

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